Eu. Tu. Nós.
Futuro?
Incógnita?
- Passeio na praia. Bola na areia. Papagaio ao vento e barco no mar. Aceitas? – perguntou ele com um certo receio e vergonha exposta na sua voz.
Pensativa. Incrédula a tal pergunta. Enquanto pensava, olhava fixamente para a flor alaranjada no meio da mesa, de pétalas compridas mas já deformadas pela viajem até casa. No entanto, mostrava um ar risonho, até provocador mas simultaneamente de timidez como se de algo dependesse a sua imagem e postura arrebatadora.
Ela sabia que a próxima coisa que dissesse mudaria a sua vida em muitas formas.
- Que bonito! – respondeu-lhe ela.
De forma também ela tímida e de poucas palavras ele disse:
- Ah, obrigado!
Já estava prometido à muito tempo a mim próprio, sabias?, pensava para ele próprio enquanto o seu coração batia à velocidade do vento em tempo de tempestade: acelerado, impaciente, algo triste pela demora em ouvir uma resposta mas mais que ansioso por sabê-la.
Da outra ponta da mesa, de cabeça segurada pela sua mão no seu queixo, ela revelava-se ainda mais pensativa. Algum medo era transparecido por uma felicidade imensa vinda do seu sorriso difícil de esconder, mesmo quando baixava a cabeça e fixava o seu olhar no tampo da mesa fazendo pequenas bolas imaginárias com os seus dedos. Parecia ainda uma pequena menina indefesa e na flor da idade. Ela sabia o que responder, mas não sabia como. Não era esquecimento, era uma maneira de se resguardar de uma próxima desilusão, de um próximo momento despedaçado. Sabia a resposta, mas precisava de um incentivo.
- Então… aceitas ou não? – pergunta ele por uma segunda vez, ainda mais impaciente e a mostrar-se vulnerável com indícios de algum desconforto por não se sentir em controlo da situação, tão bem como ele gostava.
- Err… sabes que sim! – respondeu ela timidamente.
Era algo que esperava à muito tempo, não sabias? descortinava na sua cabeça. Despoleta um sorriso e num simples movimento selecto e discreto, estica o seu braço e toca-lhe suavemente na mão dele. Ele sente um calor percorrer-lhe o corpo e a alma. Sente a mão dela acariciar-lhe os nós dos seus dedos e finalmente… está feliz.
- Passeio na praia. Bola na areia… Papagaio ao vento e barco no mar. Aceitas? – pergunta agora ela em jeito de brincadeira.
Ele não lhe responde com palavras. Solta uma pequena gargalhada, um sorriso desbocado e passa-lhe a mão acariciada pela sua bochecha, enquanto ela reage fechando os olhos enquanto sente a ternura do seu toque.
Eu. Tu. Nós.
Futuro?
Incógnita?
Já não…
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