quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pensar Incomóda o Espírito

O pensamento incomoda. O pensamento dói. O pensamento torna-se o nosso pior inimigo. No entanto, o pensamento é incessante. Diário. Perturbador e cansativo.

O que nos leva a pensar? O que nos incomoda no nossa dia-a-dia que nos faça constantemente pensar para resolver o mais pequeno e ínfimo problema? A beleza de um ser, do seu consciente e simultâneo inconsciente faz-me acreditar que o pensamento é aquilo que, como uma faca de dois gumes, nos faz crescer, continuar, viver mas também, perdermo-nos numa teia de achares e incertezas proporcionados pelas nossas inseguranças. Pelos nossos medos. Pelo nosso próprio pensamento. Quantas vezes somos incomodados, quantas vezes nos vemos errantes da nossa consciência e da realidade a que estamos emaranhados, submetidos a um mundo extenuante e fatigante devido ao nosso mesmo ser. Vamos sendo agarrados para ruas infinitas de pontos de interrogação, de reticências, de questões tão simples como imensamente questionáveis e complexas.

Amor. O amor é apenas uma pequena imagem, um sentimento simples, mas que o pensamento o torna difícil, imenso e em diversas alturas árduo. Somos apanhados em ideias-fantasma sem resposta, onde na mais próxima tentativa de a perceber resulta numa catadupla e amálgama de novos entendimentos e outras novas reflexões a quererem ser compreendidas e percebidas. O compreender do pensamento é variadas vezes, apenas uma satisfação do ego do ser humano, na mais pura tentativa de satisfação em conhecer o que o rodeia. Não se trata de um defeito mas apenas da condição natural de ser Homem, de um ser vivo racional. De um ser humano disposto a saciar a sua curiosidade pelo desconhecido, pensando e reflectindo no que o aborda ou no que o torna insignificante – o mundo à sua volta, o universo e o indecifrável.

Como podemos nós confiar no nosso próprio pensamento? Pensar cansa. Pensar torna-se doloroso e muitas vezes, enganador. Vamo-nos cingir a nós próprios, que por si só já custa.

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