quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Espectro

A imagem vai-se esbatendo perante o seu olhar cansado. As paredes ganham vida perante o cinzento escurecido do seu quarto. Sentado a uma secretária, escrevendo que uma espécie de diário no seu computador, notava-se em John a palidez da sua cara. O esverdeado dos seus olhos não era mais do que uma simples cor. A alma dele era agora transmitida como sendo algo frívolo. No meio da sua intensa escrita olha para a janela.

Do lado de fora, as cores vivas dos avermelhados e alaranjados que fazem do Outono uma complexa vivência de sonoridades, cheiros e sons. Uma amálgama de emoções incandescentes prestes a serem reproduzidas como que em uníssono. Tudo isto contrastava com o frio que se sentia à volta de John. As cores vivas e quentes que vinham do lado fora eram simplesmente barradas, para dar lugar ao vazio e ao incompreendido. Mas John, era na verdade um rapaz normal. Apenas tinha uma característica peculiar. Gostava de sentir na pele a sensação de aventura, perigo e morte.

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